“Paulada” presidencial é insuficiente para conter lucro de 49% dos bancos

Jair Bolsonaro || Crédito: Alan Santos/PR

Relatório do Banco Central mostra que a paulada, a criação do Pix, na versão alternativa dos fatos do círculo bolsonarista, mal fez cócegas nas grandes instituições financeiras

Nada como um dia depois do outro. Depois de ficar amuado com a Febraban, Jair Bolsonaro conseguiu ser recebido pela sindicato dos banqueiros em São Paulo, na segunda (8), mesmo tendo dito que havia “dado paulada neles [nos bancos].”

A Febraban assinou um dos documentos pela democracia e pela lisura das urnas eletrônicas, documento que Bolsonaro, desdenhosamente, chamou de “cartinha”. Para o presidente, o endosso dos bancos teria relação com uma perda financeira promovida por seu governo. Bolsonaro tentou justificar para seu séquito: “Você pode ver, esse negócio de carta aos brasileiros, à democracia, os banqueiros estão patrocinando. É o Pix que eu dei paulada neles, os bancos digitais que nós facilitamos.”

Se Bolsonaro deu  “paulada neles” com o Pix, lançado em novembro de 2020, parece que os banqueiros sentiram cócegas. Nesta terça (9) o Banco Central publicou o Relatório de Estabilidade Financeira, que mostra que o lucro líquido do sistema aumentou em 2021 49% em relação a 2020. De novo: em 2021, ou seja, com o Pix operando “full force”.

Mais uma: segundo publicou também nesta terça (9) a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Bolsonaro enviou emissários à Febraban para se convidar para o encontro que finalmente teve com a entidade na segunda-feira.