
O dólar iniciou esta quinta-feira (27) com uma forte valorização, refletindo a reação do mercado às recentes decisões econômicas dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump anunciou tarifas de 25% sobre carros importados, medida que deve entrar em vigor em 3 de abril. Além disso, a divulgação do PIB norte-americano mostrou uma desaceleração no crescimento da economia do país.
Tarifas elevam tensão no comércio global
Na noite de quarta-feira (26), Trump confirmou que os Estados Unidos irão taxar todos os veículos fabricados fora do país. A decisão gerou preocupação no setor automotivo, com especialistas alertando para um possível aumento nos preços e impacto na produção local.
A medida é mais um capítulo da política econômica protecionista do republicano, que já impôs tarifas sobre outros produtos importados nos últimos anos. Para analistas, a nova taxação pode afetar não apenas o comércio internacional, mas também a própria inflação americana, elevando os custos para os consumidores.
PIB dos EUA mostra desaceleração
Outro fator que mexeu com os mercados foi a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. O crescimento do país no quarto trimestre de 2024 foi de 2,4%, dentro das projeções, mas inferior ao ritmo observado no trimestre anterior.
De acordo com o Bureau of Economic Analysis (BEA), a desaceleração foi impulsionada por uma queda nos investimentos e nas exportações, fatores que foram compensados parcialmente por um aumento nos gastos dos consumidores. Além disso, as importações recuaram, evidenciando uma menor demanda por produtos estrangeiros.
Para economistas, esses dados reforçam a incerteza sobre o futuro da economia americana, especialmente diante das novas políticas comerciais impostas pelo governo.
Dólar dispara enquanto investidores buscam segurança
O impacto das decisões econômicas foi imediato no mercado financeiro. No início do dia, o dólar operava em alta de 0,61%, cotado a R$ 5,7676. O movimento reflete a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, diante das incertezas provocadas pelas novas tarifas e pelo desempenho da economia dos EUA.
Nos últimos dias, a moeda americana já vinha demonstrando tendência de alta, acumulando um avanço de 0,27% na semana e reduzindo as perdas no mês.
Inflação no Brasil vem abaixo das projeções
No cenário interno, o mercado repercute a divulgação do IPCA-15 de março, considerado a prévia da inflação oficial do Brasil. O índice subiu 0,64%, abaixo das projeções de 0,70%. Mesmo assim, o acumulado em 12 meses avançou para 5,26%, reforçando os desafios para o controle da inflação.
Os principais responsáveis pela alta foram os preços dos alimentos e dos combustíveis, que continuam pressionando o orçamento das famílias. Apesar disso, o resultado mostrou uma desaceleração em relação a fevereiro, quando a inflação havia sido de 1,23%, o maior nível para o mês desde 2016.