O lado B do design nacional

Poltrona Vivi, 1962 | Sergio Rodrigues | Crédito: Reprodução

A criatividade de grandes nomes dessa área foi muito além das peças que se tornaram referência de seu trabalho. Eles também deram seu toque genial em outras criações

Por Ana Elisa Meyer

A poltrona Mole está para Sergio Rodrigues, assim como a Jangada e a Namoradeira estão para Jean Gillon e Zanine Caldas, respectivamente. Não tem jeito: quando se fala sobre esses três grandes nomes do mobiliário brasileiro, essas são as criações que nos vêm imediatamente à cabeça.  Acontece que a criatividade desses e de outros ícones do design nacional, que se destacaram principalmente entre as décadas de 1940 e 1960, foi muito além. As peças produzidas por eles, dentro de um mesmo parâmetro estético,  associaram-se à inovadora arquitetura brasileira do período, criando coerência com os novos espaços privados e institucionais. Por suas qualidades estéticas e funcionais, até hoje esses móveis permanecem devidamente reconhecidos e valorizados. Descubra aqui outras grandes criações desses gênios do design.

Sergio Rodrigues (1927-2014)
Um dos grandes nomes do modernismo no país, principalmente nas décadas de 1950 e 1960, o arquiteto e designer carioca foi um dos pioneiros em transformar o design brasileiro em design industrial e torná-lo mundialmente conhecido.
Poltrona Vivi, 1962

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Zanine Caldas (1919-2001)
Designer, arquiteto, paisagista e escultor, o baiano de Belmonte se opôs ao modernismo e ao concreto predominante e fez da madeira sua matéria-prima preferida. Autodidata, sua produção de móveis assinados se destacou no país entre os anos 1940 e 1960.
Espreguiçadeira ZC1, década de 1950

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Geraldo de Barros (1923-1998)
Multiartista, fundou, em 1954, com o Frei João Batista, a cooperativa Unilabor, fábrica que produziu móveis simples e funcionais para a classe média brasileira, e cujo funcionamento é pautado pela autogestão operária com partilha de lucros entre os funcionários. De modo geral, as peças tinham formas simples e a junção de materiais como ferro e madeira.
Estante MF 710, década de 1950

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John Graz (1891-1980)
Considerado o grande pioneiro da decoração no Brasil, o suíço chegou ao país em 1920. Graças a sua formação multidisciplinar, como artista plástico e designer, tornou-se um dos mais solicitados profissionais de sua geração, sendo responsável por diversos projetos de interiores para residências da elite paulistana.
Sofá John Graz, década de 1950

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Joaquim Tenreiro (1906-1992)
Vindo de Portugal, chegou ao Brasil em 1928 e logo começou a fazer história: enquanto o pais copiava o estilo europeu, Tenreiro, que era designer, escultor, marceneiro e pintor, ousou produzir peças com uma linguagem mais brasileira e ganhou o título de pai do móvel moderno nacional .
Biombo feito para o Jockey Club do Rio de Janeiro, década de 1960

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Jorge Zalzupin (1922-2020)
Arquiteto polonês naturalizado brasileiro, foi um dos fundadores do design moderno nacional ao trazer, nas décadas de 1950 e 1960, propostas e desenhos inovadores. Em 1959, fundou a L’Atelier, fábrica pioneira na criação de móveis em série no pais.
Sofá Presidencial, 1959

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Giuseppe Scapinelli (1891-1982)
Nascido em Modena, Itália, o arquiteto e designer escolheu o Brasil como sua segunda pátria quando se mudou para cá na década de 1950. Se comparado aos seus contemporâneos, ele soava mais conservador. Enquanto a maior parte dos designers investia em estruturas geométicas, o seu estilo era facilmente reconhecido pela presença de curvas suaves, com os chamados “pés-palito” que davam mais leveza aos móveis.
Buffet, década de 1950

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Jean Gillon (1909-2007)
Nascido na Romênia, o designer e arquiteto desembarcou no Brasil em 1956 já com um portfólio robusto. Suas peças eram produzidas principalmente em jacarandá, uma madeira brasileira que o encantou. Criou, além de móveis, tapeçarias e esculturas, colocando seu nome na história da decoração e do design mobiliário brasileiro.
Cadeira Italma, década de 1960

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