Pioneira do design, a irlandesa Eileen Gray mantém legado de exclusividade com suas formas limpas

Eileen Gray e a casa E-1027, refúgio da designer no sul da França, projetada em 1929

Eileen foi uma das primeiras mulheres a ser reconhecida internacionalmente na área do design na virada do século 19 para o 20

Visionária em seus trabalhos, Eileen Gray foi uma das primeiras mulheres a ser reconhecida internacionalmente na área do design, campo predominantemente masculino na virada do século 19 para o 20. Ela nasceu em 1878, na Irlanda, filha do pintor James Maclaren Smith, de quem herdou o espírito aventureiro, e de Lady Gray, que ajudou a cultivar na filha a paixão pelo design. Aos 23 anos, Eileen se matriculou na Slade School of Fine Art de Londres e, paralelamente, aprendeu a arte do laqueamento, técnica oriental que adorava e que viria a se tornar decisiva em seus trabalhos futuros. Terminados os cursos, mudou-se para Paris, onde, em 1910, começou a desenhar telas e biombos decorativos que ficaram famosos e a levaram, em 1913, a expor no prestigiado Salon des Artistes Décorateurs, evento realizado anualmente na capital francesa.

Sala do apartamento de Suzanne Talbot na Rue de Lota, em Paris

Eileen ganhou fama quando Suzanne Talbot, designer e proprietária de uma butique de chapéus, lhe encomendou um projeto de decoração para seu apartamento. Extremamente criativa, Eileen começou a estudar arquitetura e transformou-se em companheira e sócia do arquiteto romeno, que também vivia em Paris, Jean Badovici. Apesar de seu legado arquitetônico não ser extenso, é muito emblemático um projeto residencial, o E-1027, inspirado nos ensinamentos do arquiteto suíço Le Corbusier, grande amigo de Badovici e admirador de Eileen. Localizada na Côte d’Azur francesa, a casa passou a ser o refúgio do casal Eileen-Badovici. Mesmo pequena, era extremamente funcional, como convinha a uma casa modernista, e seu mobiliário, inteiramente integrado à arquitetura, remetia ao espírito forma-função da Bauhaus. Eileen Gray foi uma artista singular. Seus trabalhos nunca foram produzidos em larga escala. Suas peças, de formas limpas e básicas, mas ao mesmo tempo imponentes, eram únicas e exclusivas. Com uma alma vanguardista para sua época, a arquiteta, designer de interiores e de móveis, morreu em 1976, aos 98 anos, permanecendo uma forte referência até hoje. (por Ana Elisa Meyer)

Poltrona Bibendum (1926)