O dólar registrou uma forte alta nesta quinta-feira, alcançando R$ 5,8351 na máxima do dia. O movimento reflete a reação do mercado a uma combinação de fatores econômicos internos e externos. Além disso, declarações recentes do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre novas tarifas de importação aumentaram a incerteza global.
Cenário interno: desemprego e déficit comercial
No Brasil, investidores acompanharam de perto os novos números do mercado de trabalho. O IBGE divulgou que a taxa de desemprego subiu para 6,5% no trimestre encerrado em janeiro, acima dos 6,2% registrados no período anterior. Apesar da alta, o mercado esperava um índice ainda maior, o que trouxe certo alívio aos analistas.
Outro dado relevante foi o déficit das contas externas, que atingiu US$ 8,7 bilhões em janeiro. O número representa quase o dobro do déficit de US$ 4,4 bilhões registrado no mesmo período de 2024. O principal motivo para essa piora foi a redução do superávit comercial, que ficou US$ 4,3 bilhões menor em comparação ao ano passado.
Influência externa: economia americana e tarifas de Trump
Nos Estados Unidos, o PIB do quarto trimestre de 2024 cresceu 2,3%, conforme esperado pelo mercado. O dado, no entanto, representa uma desaceleração em relação ao terceiro trimestre, quando a economia americana avançou 3,1%. Esse cenário reforça as expectativas de que o Federal Reserve (Fed) pode manter os juros elevados por mais tempo, o que tende a favorecer o dólar frente a outras moedas.
Além dos indicadores econômicos, a política tarifária de Donald Trump voltou ao centro das atenções. O republicano afirmou que pretende impor uma tarifa de 25% sobre todos os produtos da União Europeia, mas indicou que pode adiar medidas contra México e Canadá. Essa possibilidade de novas barreiras comerciais acendeu um alerta no mercado, elevando a demanda por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Impacto no Ibovespa e perspectivas para o mercado
Enquanto o dólar se fortalece, a bolsa de valores brasileira enfrenta dificuldades. O Ibovespa operava em leve baixa no início da tarde, marcando 124.726 pontos, após cair 0,96% no pregão anterior. O desempenho reflete a cautela dos investidores diante da valorização da moeda americana e das incertezas no cenário internacional.
A expectativa agora é sobre os próximos movimentos do Banco Central em relação à taxa Selic e possíveis intervenções para conter a volatilidade cambial. Além disso, o mercado seguirá atento a novas declarações de Trump e à divulgação de novos indicadores econômicos nos Estados Unidos.