Revista Poder

Ressarcimento “acima da inflação e dos juros de mercado” é gongado, e 123 Milhas se cala por problemas em série

Crédito: Divulgação/123 Milhas

Os problemas da empresa de reservas de viagem 123 Milhas vêm se avolumando desde a semana passada e, ainda que o fundo do poço sempre possa estar bastante além do que pensamos, esta segunda (21) parece ter sido particularmente danosa para a imagem do site.

Recapitulando. Na sexta (18), incapaz de cumprir compromissos com clientes optantes por uma determinada tarifa, a empresa ofereceu reembolso por meio de um voucher com “correção monetária acima da inflação e dos juros de mercado”.

No sábado (19), o secretário nacional do Consumidor do ministério da Justiça, ex-deputado federal Wadih Damous, manifestou-se em sua conta do ex-Twitter para dizer que a empresa não poderia impor o ressarcimento apenas por voucher. “A empresa não pode, por exemplo, oferecer apenas a opção de voucher para ressarcir os clientes, que têm o direito de optar pelo ressarcimento em dinheiro. Consumidores que se sintam lesados podem encaminhar reclamação através do consumidor.gov.br.”

No domingo (20), uma entidade de defesa do consumidor, o Instituto Brasileiro de Cidadania (Ibraci), pediu bloqueio judicial das contas da empresa, de seus sócios e acionistas administradores para garantir o pagamento de indenizações aos consumidores.

Nesta segunda (21), numa agenda por coincidência em Belo Horizonte, onde fica a sede da 123 Milhas, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse a jornalistas que “a orientação que damos é procurar os Procons, porque quanto mais ações judiciais houver, há caminho para a solução do problema”. Nesta mesma segunda (21), o Procon-SP notificou a 123, pedindo esclarecimentos.

Em meio a tudo isso, a 123 Milhas se calou. Curiosamente, o ano de 2023 parecia anunciar-se promissor. Em janeiro, a empresa havia comunicado tratativas para fusão com a principal concorrente brasileira, a MaxMilhas, criando uma OTA (de “agência de viagem online, em inglês) com vendas estimadas em R$ 6 bi em vendas.

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O melhor jornalista de viagens do Brasil, Ricardo Freire, explicou nesta mesma segunda-feira porque o possível naufrágio da 123 Milhas não implica mares bravios para outras empresas, como a gringa Booking. Está tudo neste fio.

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