Revista Poder

Em repeteco do caso Isa Penna, vereador de Florianópolis assedia colega

Carla Ayres e Marquinhos da Silva || Crédito: Reprodução/IG/Divulgação/TSE

Em sessão que discutia a criação da Procuradoria da Mulher em Florianópolis na noite de quarta (7), a vereadora da capital catarinense Carla Ayres (PT) foi assediada por um colega, Marquinhos da Silva (PSC).

A cena é explícita e foi filmada pelo circuito interno da Câmara de Vereadores. Silva, sentado, dá a mão para cumprimentar a colega, levanta-se subitamente, abraça firmemente Carla, que tenta se esquivar, e tasca-lhe um beijo no rosto.  A vereadora deu conhecimento do ato e do filme em suas redes sociais, e ganhou solidariedade de boa parte do campo progressista nesta quinta (8).

O presidente eleito Lula, por exemplo, escreveu: “Me solidarizo com a vereadora Carla Ayres, de Florianópolis, após o absurdo episódio ocorrido na Câmara de Vereadores. As mulheres têm que ocupar os espaços de decisão, os espaços da política e serem sempre respeitadas.”

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), também se manifestou: “Todo nosso apoio à companheira Carla Ayres, vítima de assédio asqueroso dentro da Câmara Municipal de Florianópolis. O vereador em questão precisa ser responsabilizado, só assim vão aprender. Respeitem as mulheres!”

Prestaram solidariedade à vereadora ainda o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o deputado federal eleito Guilherme Boulos (Psol-SP).

O caso guarda enorme relação com o assédio da deputada estadual Isa Penna em São Paulo, caso notório que o vereador certamente há de ter tomado conhecimento. A vereadora apresentou denúncia à Câmara contra Marquinhos por assédio e deverá pedir sua cassação por quebra de decoro. Na esfera cível e criminal, ainda não havia se manifestado.

O assediador tentou se justificar em sua conta de Instagram:

“Recebo com tristeza a notícia de acusação de assédio contra uma colega, vereadora Carla Ayres, na sessão desta quarta-feira (7), da Câmara Municipal de Florianópolis, com quem, apesar de divergências políticas, sempre demonstrei imenso carinho e respeito, dentro e fora do plenário.

Reconheço meu erro em abordar a vereadora de maneira inconveniente, sem a sua autorização, e diante disso peço minhas sinceras desculpas a ela e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas pelo meu ato. Ressalto que em nenhum momento agi de maneira má-intencionada, porém, fui infeliz em invadir o seu espaço.

Levarei essa atitude equivocada como um aprendizado, compreendendo essa situação e repudiando toda forma de assédio. Sempre fui um defensor e incentivador da participação da mulher na política (…) Espero que a nobre vereadora, da qual tenho enorme apreço, aceite meu pedido de desculpas.”

 

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