Revista Poder

Tiros em Paraisópolis afastam de cena “pintou um clima” em frenesi eleitoral

Tarcísio Gomes de Freitas durante tiroteio em Paraisópolis || Crédito: Reprodução/TV Globo

O pesadelo eleitoral do fim de semana de Jair Bolsonaro, a autodeclaração de que “pintou um clima” com um grupo de adolescentes venezuelanas que ele concluiu parecerem jovens prostitutas, não foi explorada pela campanha de Lula no debate deste domingo (16), em São Paulo, causando alívio geral entre os homens fortes do inner circle do incumbente.

Mas o tema não deve sumir da pauta, pois quem tem o deputado federal André Janones (Avante-MG) na vanguarda da infantaria digital, não sossega. Na virada do domingo para esta segunda (17), o novo aliado de Lula desde criancinha publicou em suas redes que recebeu infomações e que iria ouvir as “supostas vítimas”.

Estas duas últimas semanas de campanha prometem, e o frenesi eleitoral já apareceu no suposto “atentado” contra a campanha de Tarcisão nesta segunda (17), em Paraisópolis, a grande favela da região paulistana do Morumbi.

Pelos vídeos que já ganharam as redes sociais, um tiroteio irrompe nas proximidades do prédio onde o candidato bolsonarista ao governo de São Paulo estava, sem, contudo, colocar qualquer pessoa da comitiva de Tarcisão na linha de tiro — nem perto disso.

O governador paulista Rodrigo Garcia (PSDB), que declarou apoio ao bolsonarismo ato contínuo a seu fracasso nas urnas no primeiro turno, apressou-se em dizer ter determinado a “imediata investigação do ocorrido” e elogiou à própria PM, também enaltecida por Tarcisão.

Aliados e simpatizantes do lulismo logo fizeram a ilação de que o suposto atentado serviria para desviar a polêmica do “pintou um clima”, ignorando que o próprio debate havia sido uma boa oportunidade de cozinhar Jair Bolsonaro em fogo brando.

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Por volta das 17h45, o líder comunitário de Paraisópolis Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas, publicou nota oficial em que “lamenta o ocorrido” na comunidade. “Paraisópolis tem uma tradição em receber políticos, autoridades, artistas e personalidades por ser uma comunidade pacífica e organizada”, escreveu.

Gilson disse que as entidades que representam a comunidade não receberam comunicação oficial da visita de Tarcisão. “Tampouco foi feito nenhum tipo de convite a nenhum dos nomes que concorrem a cargos eletivos neste pleito.”

 

 

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