Revista Poder

Garcia volta a 1932 e usa certa altivez paulista para atacar de novo, sem dar nome aos bois, Tarcisão

Rodrigo Garcia e Tarcísio Gomes de Freitas || Crédito: Gov-SP/Alan Santos/PR

Sabedor de que disputa o mesmo eleitor razoavemente conservador de seu adversário bolsonarista, Rodrigo Garcia (PSDB) vem intensificando seus ataques contra Tarcisão (Rep). Sem citar o nome do oponente ao Bandeirantes, o governador paulista candidato à reeleição publica em seu Twitter coisas como esta, de quinta (14) (foram mantidas abreviaturas e gírias):

“Um cara q cai de paraquedas em SP. Aí ele corre pra decorar uns números e frases de efeito. Bom, aí começa a confundir as coisas + básicas de adm pública. Aí vc pensa: falta de conhecimento ou má-fé? Alguém avisa ele q quem decide o uso de tornozeleira em preso é a Justiça, pfvr”

Garcia provavelmente faz referência, com algum retardo, à resposta que Tarcisão deu ao jornalista Pedro Venceslau (que nome maravilhoso – escapou), de O Estado de S.Paulo, em começo de junho, quando disse que “o monitoramento do bandido é muito mais eficaz e mais barato que o do policial. Uma tornozeleira eletrônica custa quase um terço do valor de uma câmera. O questionamento que eu faço logo na largada é porque não monitorar mais bandidos do que policiais.”

Câmeras que filmam as ações policiais foram instaladas na PM paulista, em ação pilotada pelo antecessor de Garcia, João Doria (PSDB), e estão relacionadas à queda dos números de violência policial recentemente divulgados.

Garcia segue atacando uma das lacunas de Tarcisão, que é não ter qualquer relação com São Paulo – daí o “cai de paraquedas”. Além de responder a quiz sobre apelidos de times das divisões inferiores do estado, o governador tenta passar a ideia de que é uma espécie de paulista essencial, o único dos candidatos a sê-lo, sujeito que tem algum tipo de ancestralidade especial que o torna essa figura mitologicamente construída.

No sábado passado (9), feriado de 9 de Julho, data magna para a história moderna do estado, quando foi a deflagrada a revolução constitucionalista de 1932,  Garcia estava livre, leve e solto, detonando os interventores enviados a São Paulo por ordem de Getulio Vargas havia nove décadas.

A rebelião paulista contra Getulio, espécie de metáfora para sua atual indisposição contra o fantoche bolsonarista,  mereceu a seguinte frase: “SP é dono de seu destino e não abaixa a cabeça pra ninguém.”

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