Revista Poder

Sanções fazem oligarcas se posicionarem a favor da paz e colocam em xeque a economia russa

Medidas, que incluem sanções contra o próprio Putin, equivalem a um ataque combinado que ameaça levar a economia russa à ruína

Ameaças de severas sanções econômicas não foram suficientes para impedir Vladimir Putin de invadir a Ucrânia. Mas a promulgação dessas penalidades pelos Estados Unidos e outros aliados da Ucrânia exigiu um custo enorme para a economia russa, levando seu sistema financeiro à beira do desastre e aumentando a pressão sobre o líder autoritário cada vez mais isolado. A economia da Rússia já estava sofrendo com punições rápidas que líderes mundiais impuseram após o ataque da última quinta-feira: o país começou a sofrer escassez de dinheiro, o rublo entrou em queda livre e pelo menos dois oligarcas – que foram alvo de sanções, junto com suas famílias – pediram pelo fim do conflito. “A paz é muito importante!”, disse o bilionário Oleg Deripaska em suas redes sociais. “As negociações precisam começar o mais rápido possível!”

“Estou profundamente ligado aos povos ucraniano e russo e vejo o conflito atual como uma tragédia para ambos”, escreveu em uma carta outro oligarca russo nascido na Ucrânia Mikhail Fridman, cujo Alfa Bank foi atingido por sanções dos EUA na semana passada. “Esta crise custará vidas e prejudicará duas nações que são irmãs há centenas de anos”, acrescentou Fridman. “Embora uma solução pareça assustadoramente distante, só posso me juntar àqueles cujo desejo fervoroso é que o derramamento de sangue termine.”

O estresse na economia russa se intensificou na segunda-feira, quando o Departamento do Tesouro dos EUA e aliados europeus proibiram indivíduos de trabalhar com o banco central do país, o Ministério das Finanças e o fundo de riqueza. “A ação sem precedentes que estamos tomando hoje limitará significativamente a capacidade da Rússia de usar ativos para financiar suas atividades desestabilizadoras e direcionar os fundos de que Putin e seu círculo íntimo dependem para permitir a invasão da Ucrânia”, disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen, em comunicado. “Hoje, em coordenação com parceiros e aliados, estamos cumprindo os principais compromissos para restringir o acesso da Rússia a esses valiosos recursos.”

Em conjunto, as medidas, que incluem sanções contra o próprio Putin, equivalem a um ataque ousado e combinado que ameaça levar a economia russa à ruína. Há preocupação de que o presidente da Rússia possa responder às medidas aumentando ainda mais a crise, como já fez ao colocar as forças de dissuasão nuclear em “alerta máximo” no domingo. A cada passo deste conflito, Putin fabrica ameaças para justificar ações mais agressivas. E, por enquanto, ele parece decidido a continuar sua escalada autoritária: está reprimindo os protestos em casa e se enfureceu contra o Ocidente chamando-o de um “império de mentiras” em meio à condenação internacional dessa invasão.

Um dos principais assessores do governo da Rússia disse que nesta quinta-feira deve acontecer uma nova rodada de negociações com representantes da Ucrânia sobre o conflito entre os dois países.

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