Revista Poder

As lições do tenista Rafael Nadal para a vida de todos nós

Sérgio Rial e Rafael Nadal || Crédito: Reprodução YouTube/Santander

Head da América do Sul e CEO do Santander Brasil, Sergio Rial conversou na tarde desta quarta-feira (24) numa live com um dos mais bem-sucedidos tenistas deste século, o espanhol Rafael Nadal.

Junto com o suíço Roger Federer, Nadal levantou 20 títulos do circuito Grand Slam, os mais importantes do circuito profissional de tênis, feito não atingido por mais ninguém. Na conversa, levada em espanhol especialmente para os países de língua espanhola da América Latina, Rial tentou extrair de Nadal lições do dia a dia do tenista que pudessem ser aplicadas para as pessoas comuns.

Humildade, generosidade, uma visão “otimista-realista”, definição de estratégias de curto prazo e a admissão de que a vitória de ontem não vale muita coisa para o desafio atual sobressaíram.

“Os rivais de ontem podem ficar mais competitivos, por isso tenho de estar preparado 100%, melhor a cada dia. Cada ano preciso ser melhor para ganhar de novo”, disse Nadal, acrescentando que “o que aconteceu anos atrás não garante nada.”

Sabe-se que o tênis, um esporte individual que tem partidas que podem se alongar por horas, exige muita força mental. Nadal é pródigo nessa qualidade, e Rial quis entender como consegui-la. A resposta foi “treino”.

“Faço as coisas com muita paixão, com muita intensidade. Se não há intensidade, não me divirto”. O tenista também disse que ter tido uma “vida estável” e ter “sabido acolher os momentos bons e ruins” ajudou nisso.

Assim como com tantos outros tenistas, o brasileiro Gustavo Kuerten incluído, Nadal teve a carreira interrompida por uma sequência de lesões. Instado a falar sobre elas, o espanhol disse que “você pode ficar bravo ou frustrado, mas a única maneira de sair dessa situação é trabalhar”. “Uma palavra importante é aceitação. É isso o que tem para hoje, vamos trabalhar para melhorar.”

Um momento particularmente interessante foi quando o tenista revelou que não consegue estabelecer objetivos de longo prazo, sublinhando a força da rotina de treinamentos.

“Minha ambição é tentar chegar a Monte Carlo [torneio que abre a temporada de saibro, em maio] bem, chegar pronto”, disse. “O futuro é imprevisível, acho que a gente tem de ser flexível e aceitar as coisas conforme elas aparecem”. Rial concordou, dizendo que se os objetivos trimestrais não são alcançados, objetivos de médio e longo prazo irão “ruir”.

Nadal ainda falou um pouco de tecnologia, dizendo que “não cresceu com o Instagram” e que não é tão hábil com as novidades, mas sublinhou que acredita muito em “relações de confiança” e de que “gosta de olhar no olho” das pessoas e “apertar a mão, quando isso é possível”. Disse também que, mesmo num esporte individual, “não se chega a lugar nenhum sozinho”.

O espanhol mantém há 10 anos a Fundação Rafael Nadal, que nesse tempo atendeu 5 200 crianças com algum tipo de dificuldade, seja física, intelectual ou de vulnerabilidade social, e na live fez questão de deixar uma mensagem de que a desigualdade sócio-econômica vivida pelo mundo é claramente indesejável. “Espero que quem tem privilégios possa entender que precisa ajudar quem não tem. Com mais gente em melhor situação, o mundo se torna um ambiente melhor para se viver.”

Sair da versão mobile