Revista Poder

Céu e inferno de Lula, que hoje completa 75 anos

Ex-presidente Lula || Créditos: Reprodução

Por Anderson Antunes

Ele talvez gostasse de dizer “nunca na história deste país”, mas a formulação estilística não seria verdadeira. Então, digamos nós que poucas vezes na história deste país um político foi capaz de reunir tantos adoradores, pessoas que o tem na conta de uma figura divina; e tantos detratores, que o veem como a besta do Apocalipse.

Não é Bolsonaro. Fala-se aqui do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula completa 75 anos de vida e PODER Online selecionou alguns momentos de céu e inferno do ex-presidente. 

CÉU

A primeira posse

O momento de maior glória da carreira política de Lula certamente aconteceu no dia 1º de janeiro de 2003, quando ele se tornou o 35º presidente do Brasil após três tentativas fracassadas em eleições anteriores. No discurso de posse que proferiu no Congresso Nacional, chorando, disse: “E eu, que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu país”. 

Reeleito em 2006 para o cargo, deixou o governo com o índice recorde de aprovação de 87%, e ainda conseguiu eleger sua sucessora, Dilma Rousseff.

“The guy”

Em abril de 2009, em um encontro do G20, em Londres, o então presidente norte-americano Barack Obama disse ao ex-primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, apontando para o homólogo brasileiro: “Esse é o cara! Eu adoro esse cara! Ele é o político mais popular da Terra! Deve ser por causa da boa pinta.” Para Lula, que passou boa parte da vida chamando os americanos de imperialistas, uma catarse.

A dádiva que virou maldição

Em 2006, Lula teve um dos melhores momentos de seus oito anos na presidência quando a Petrobras anunciou a descoberta do campo de Tupi (hoje campo de Lula), na Bacia de Santos. A área concentra quantidade formidável de petróleo do chamado pré-sal, o que poderia significar a independência energética brasileira.

Apenas três anos mais tarde, quando anunciava as regras para a exploração do pré-sal, Lula disse que “o que era uma dádiva virou maldição”, ao lembrar que países em desenvolvimento tiveram dificuldades mesmo contando com riquezas naturais.

INFERNO

Condução coercitiva

Em março de 2016, Lula foi conduzido coercitivamente para depor na 24ª fase da Operação Lava Jato. A manobra, inédita, de constranger um ex-presidente a prestar sob aparato policial depoimento às autoridades, foi justificada pelo ex-juiz federal Sergio Moro, autor da decisão, como uma maneira de evitar tumultos.

Mais tarde, a um grupo de aliados, Lula teria dito que nem em seu pior pesadelo imaginou uma situação parecida.

“Bessias”

Dias após a condução coercitiva, Lula foi indicado como ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff, mas sua permanência no cargo não durou 24h. Gilmar Mendes, ministro do STF, suspendeu sua nomeação, alegando que o ex-presidente poderia atrapalhar as investigações da Lava Jato.

Na conversa amplamente vazada – Sergio Moro, sempre ele – entre Lula e Dilma que celebrou a indicação, ficou famoso o personagem “Bessias”, o ajudante de ordens (Messias, em“fanhês”) encarregado de levar o termo de posse a Lula.

Lula réu

Em setembro de 2016, Lula se tornou réu pela primeira vez em uma ação da Lava Jato, após denúncia contra ele aceita pelo juiz Sergio Moro. Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente foi denunciado junto com a mulher, já finada, Marisa Letícia.

Lula se referiu à denúncia como “uma grande mentira”, e ironizou: “Agora, precisa concluir a novela. Quem é o bandido e quem é o mocinho? Vamos agora dar o fecho, acabar com a vida política do Lula”, disse.

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